
Sobre
Quando não fui poeta
Quando não fui poeta é um retrato lírico da vida comum.
Um convite para encontrar poesia no cotidiano.
Os poemas se organizam na forma de “um dia comum” do eu-lírico.
Entre trabalho, lembranças, relações e momentos de silêncio, os poemas exploram a experiência de ser e existir através das palavras.
Ao longo do dia e seus pensamentos, acompanhamos a evolução do eu-lírico que busca sentido na palavra poética, mostrando como a poesia pode ser, ao mesmo tempo, um refúgio e uma afirmação de vida.
Primeiro poema do livro:
Acordo
O alento amanheceu
farto das noites e aflições,
dos sonhos pouco acordados,
e do hoje – com seus cifrões.
Acordo atravessa
minha barriga, língua e coluna.
Acordo com a assinatura cega
dos guinchos de um novo dia.
Um novo dia. O mesmo dia.
Só eu, ainda eu, alheia
ao verbo que me nutria.

