Quando não fui poeta é um retrato lírico da vida comum.
Este livro é, ao mesmo tempo, espelho e convite. Espelho, porque o leitor encontrará nele fragmentos de si mesmo: o cansaço ao final do expediente, a lembrança que reaparece sem ser chamada, o medo de desperdiçar os dias, a esperança silenciosa de que a vida seja mais do que repetição. Convite, porque os poemas abrem brechas, insinuando que cada gesto contém seu próprio ritmo e sua própria beleza.
A organização dos poemas imitam a passagem de um dia. Ao virar das páginas, seguimos o eu-lírico desde os primeiros movimentos da manhã até a densidade da noite, atravessando trabalho, encontros, deslocamentos e silêncios. Essa organização, quase narrativa, conduz o leitor a uma experiência contínua, como se estivesse acompanhando o fluxo de consciência de alguém que caminha e pensa, pensa e se perde, se perde e se encontra na palavra.
Quando não fui poeta é um livro sobre todos nós: sobre o que somos quando a rotina ameaça nos engolir e sobre o que podemos ser quando deixamos que a poesia, a arte e a nossa própria voz, ainda que tímida, se insinue em nossa vida. É um livro que celebra o poder da palavra como instrumento de sobrevivência e de afirmação, lembrando-nos que ser poeta não é profissão nem destino, mas um posicionamento, uma escolha cotidiana de escolher olhar, escolher sentir, escolher escrever, escolher viver.
Obs: imagens meramente ilustrativas.


