
Um livro pra mergulhar aos poucos e uma escrita que vai abrindo espaço pra que a gente exista. É difícil se reconhecer perdido de si e a as palavras da Raquel aparecem enquanto ruptura, irrompendo a rotina, a funcionalidade e inscrevendo um convite ao movimento, ao cuidado e à possibilidade de se criar. Uma escrita tanto pra quem já gosta de poesia, quanto pra quem quer se aproximar, indico totalmente!
Uma ótima opção pra quem gosta de poesia ou quer iniciar na leitura, lida com a realidade urbana, é perceber a poesia de todas as coisas.
A autora consegue sintetizar as palavras de forma fluida, criando uma linha poética deliciosa de para a leitura. Cada poesia, nos leva para a intrinsecidade da autora seja cenários urbanos, cotidianos, femininos. Um livro prazeroso, para ser lido com afeto, sem pressa. Recomendo fortemente.
Sobre
Quando não fui poeta
Quando não fui poeta é um retrato lírico da vida comum.
Um convite para encontrar poesia no cotidiano.
Os poemas se organizam na forma de “um dia comum” do eu-lírico.
Entre trabalho, lembranças, relações e momentos de silêncio, os poemas exploram a experiência de ser e existir através das palavras.
Ao longo do dia e seus pensamentos, acompanhamos a evolução do eu-lírico que busca sentido na palavra poética, mostrando como a poesia pode ser, ao mesmo tempo, um refúgio e uma afirmação de vida.
Primeiro poema do livro:
Acordo
O alento amanheceu
farto das noites e aflições,
dos sonhos pouco acordados,
e do hoje – com seus cifrões.
Acordo atravessa
minha barriga, língua e coluna.
Acordo com a assinatura cega
dos guinchos de um novo dia.
Um novo dia. O mesmo dia.
Só eu, ainda eu, alheia
ao verbo que me nutria.

